Reabilitação da minha Ribeira – parte III, das outras ruas e memórias

Memória do meu avô, Carlos Gomes Oliveira (1913-2005)

 

(continuação)

 

Tenho-me limitado a falar da Ribeira propriamente dita. Mas há que referir ainda a Rua de São João e a Mouzinho da Silveira. Na 2ª casa do lado direito quem sobe São João vivia o Sr. Artur Gonçalves Vallada e família. O Sr. Vallada era diretor do desaparecido Banco Comercial do Porto, que ficava na Rua Ferreira Borges, onde atualmente está instalado o Instituto do Vinho do Porto. No 1º andar do prédio da família Vallada era o consultório de um dos filhos, o Dr. Miguel Vallada, que foi pai do António Paulo Vallada, ex-presidente da Câmara Municipal do Porto. Quando o Dr. Miguel Vallada casou, foi viver a Rua de Mouzinho da Silveira, um pouco acima da capela do Senhor Salvador do Mundo, num 1º andar frente ao Mercado Ferreira Borges. Do que me lembro, foi lá que nasceram o filho e a filha do casal. Um pouco abaixo da capela vivia o Dr. Beirão Reis, também médico.

Voltando à Rua de São João, vamos encontrar a residência do Sr. Ferreira de Macedo, que viria a ser um grande industrial. Acima, depois da travessa, vivia o Sr. Pimenta e família e, mais acima, o Sr. Francisco Cunha, ambos sócios da mais importante firma armazenista de mercearia, que foi a Marques e Araújo Ld.ª. Ainda mais para cima viveu o Sr. Bessa e família. O Sr. Bessa era sócio da firma, também ligada à mercearia por grosso, Severino José de Brito. A filha do Sr. Bessa, a Maria Emília, casou com o meu falecido irmão Fernando.

Lá mais para cima ficava a firma Cancela e Coelho, igualmente armazenista de mercearia. Da firma fazia parte o marido da minha tia materna Angelina, o tio Cancela. A casa era habitada pelo casal e seis filhos. Muitas vezes o meu irmão e eu fomos para lá brincar! Do outro lado da rua, ao princípio, vivia a família Guimarães, e lá para o alto vivia o casal Quaresma, pais da Dr.ª Clementina Quaresma, ex-conservadora do Museu Nacional Soares dos Reis. Quase pegado vivia o Sr. Júlio Borges e uma filha, professora no liceu.

Personagens típicas também iam aparecendo. Lembro o “Maneta”, o “Gazeta e meia”, a “Rita Peixa”, o “Pongão”, sem esquecer o mais popular de todos os tempos, o “Duque”, de seu nome Deocleciano Monteiro.

Aos poucos, tal como nós, estas famílias mais antigas foram-se mudando para zonas novas, melhores. A Rua de Cima de Muro começou, então, a ser habitada por famílias mais modestas, que iam chegando em busca de vidas mais prósperas. A minha Ribeira, a que conheci bem, é esta, a da minha infância.

 

Carlos Gomes Oliveira, 1999

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One thought on “Reabilitação da minha Ribeira – parte III, das outras ruas e memórias

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